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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

- A, B, C, D, E, F, G, H...

foto via net

"Vá confiantemente na direção de seus sonhos. Viva a vida que você imaginou"


Conta-se por aí uma historieta em que um garotinho passava todos os dias em frente a loja de um comerciante dizendo, em voz alta, mas como muita doçura e humildade, o abecedário:
 - A, B, C, D, E, F, G, H...  
O homem resolveu segui-lo e, por todo o trecho que percorreu, ouviu se repetirem as letrinhas. 
Seguiu o garoto no dia seguinte e no seguinte, sempre ouvindo a repetição do alfabeto. 
Pensou consigo mesmo: -Se ele já sabe a sequência por que continua a dizê-la? Resolveu então perguntar ao menino: 
- Diga-me, porquê repetes tantas vezes essas letras? 
Respondeu-lhe o menino
- Tenho sempre muitas  coisas para agradecer a Deus e muitas outras coisas pra pedir. Como não sei ao certo quais as melhores coisas que mereço receber, eu digo-lhe as letra e deixo que Deus monte minha oração. Assim, sei que tudo que me acontece, é por causa da graça dEle.

Hoje é aniversário de dois anos deste blog tenho muitas coisas pra agradecer.
Agradecer, novamente, ao Vini, de quem ganhei como presentinho a montagem inicial deste blog. 
Agradecer ao meus leitores, aos que fazem comentários (sempre é bom ouvir elogios) e aos que não fazem.
Agradecer aos que cedem fotos e ideias pras postagens.
Lembro-me da busca por um nome, pois como artesã queria um que remetesse à área, mas todos os que eu pensava já existiam na blogsfera. Agora sou apaixonada por este nome que veio como inspiração pra mim. 
Muitas vezes passo bastante tempo sem escrever nada por aqui ou escrevo e fica como rascunho.  Como um diário, sem ser realmente a cada dia. 
Escrevo mais para mim mesma, mas com ele chego até onde jamais pensaria em ir, pois tenho leitores em todos os países do mundo. Já desejei ir à Europa e já fui convidada a morar nos Estados Unidos, mas, além dos livros que li sobre as Estepes, jamais me imaginei em contato com alguém daquele lugar, muito menos da Índia ou África. 
Sei que o blog foi muitas vezes sugerido como inspiração ou pra retirada do molde dos artesanatos, mesmo tendo bem poucas sessões nessa área, mas também tem quem gosta de ler minhas postagens. 
Seja lá qual for o motivo que nos une neste blog eu lhe agradeço e quanto  aos meus sonhos só me resta fazer a mesma coisa:  - A, B, C, D, E, F, G, H...  

O mar e o penhasco




A postagem de hoje começa há muitos e muitos anos. Quando vi estas recentes fotos do Vinícius me lembrei do texto "A Lenda de Capri". Gosto muito de ler. Até declaro a leitura como o meu pior defeito. Se algo escrito aparecer perto de mim só largo depois de lido. Assim que aprendi a ler fui tomada pela magia das palavras escritas. Conversar não era comigo, mas ler e desenhar eram minha paixão. Ao meu ver, palavras escritas são desenhos repetidos que juntos servem pra expressar uma ideia, situação ou imagem. Nessa época eu tinha uns sete anos de idade, morávamos numa casa simples de madeira, mas ela tinha um terreno grande e uma jabuticabeira maior ainda. Meu pai colocara umas tartarugas (artefatos circulares de cimento que tinham um tipo de pé em sua base)  em volta dela, para que pudéssemos nos sentar e ali eu li meus primeiros livros e fascículos da Bíblia Ilustrada (história que ficará para uma outra postagem). Eu cresci e durante os 2º e 3º anos do Ensino Médio eu lia muito pra fazer os trabalhos de escola e desde lá me acompanha uma história que me encanta e que guardo na memória até hoje, havia um penhasco bem na beira do mar, era enorme e altivo, mas o mar, com o passar dos anos, fora lhe solapando as estruturas. Trata-se de um trecho do livro Arco do Triunfo do escritor Erich Maria Remarque que transcrevo: 

   Lenda de Capri

Era uma vez uma onda que amava um penhasco em algum lugar do mar...
A onda espumava e bramia em torno dele.
Beijava-o noite  e dia, enlaçava-o com seus braços muito brancos.
Gemia, soluçava e implorava para que fosse junto dela.
Adorava-o e aos poucos foi solapando.
Um belo dia, com a base toda escavada, ele cedeu e tombou nos braços dela...
Deixou de ser penhasco para ser solapado, amado e deplorado.
Era agora só um pedaço de rocha submerso no fundo do mar.
A onda ficou decepcionada!
Sentindo-se lograda, saiu à procura de outro penhasco.
...O que é móvel é sempre mais forte do que é fixo.

Por se tratar de texto relacionado com o mar é que as fotos me lembraram dele e de eu ter dito que começa há muitos anos esta postagem. Tenho ainda guardado comigo a folha de papel onde o transcrevi . 
Lindo isto. Me faz meditar. Com certeza ele falava das relações humanas. Diz-se que Remarque, (pseudónimo de Erich Paul Remark (Osnabrück22 de Junho de 1898 — Locarno25 de Setembro de 1970 e alemã). foi um grande escritor e conhecedor das dores por ter lutado na Primeira Guerra Mundial.
Vale duas reflexões: 
Primeira- Esse amor que não faz o outro crescer, com certeza, não é amor. Pode ser tudo o que tem que ser vivido por determinadas pessoas e num determinado momento, pra aprendizagem, pra auto-conhecimento e até pra sensação de vitória, mas não é amor, é apego. Pega-se coisas, objetos. O essencial é invisível aos olhos, o que diremos então sobre não ser tátil? O que importa é mais do que o material.
Segunda- Acho que jamais devemos esquecer das nossas origens e nem devemos negá-las, embora eu brinque dizendo que quando enriquecer irei esquecer de ter sido pobre, kkk
E você, pensa no que ao ler sobre essa lenda?





Fotos de Vinícius Poffo
Bom dia para nós!