quarta-feira, 20 de junho de 2018

Diário de obra - Parte 1

"Todos nós temos nossas máquinas de tempo. Algumas nos levam de volta, elas são chamados de memórias.
Alguns levam-nos para a frente, eles são chamados de sonhos. "

                                             ~ Jeremy Irons
             


Esta nossa casa já não existe mais. Está em nossas lembranças, nossas fotografias. Nas memórias dos amigos.
Recebeu muitos nomes, muitos apelidos, tipo "casinha de boneca" , "casa mais linda do mundo" , "lugar bucólico", etc...
Mais que uma casa foi nosso lar. 
Moramos nela por 14 anos. Sempre tinha alguma coisa pra consertar, pintar, adicionar. A gente não parou nunda de alterar e de decorar . Nada ficava muito tempo no mesmo local, às vezes meus filhos até reclamavam por terem que me ajudar a trocar móveis de lugar, mas depois gostavam da alteração feita.
Esta casa viu festas e muita gente passou por ela. Alguns retornaram e alguns nunca mais vimos. Dentre todos, a pessoa que não veremos nunca mais e de quem mais sinto saudades é da minha Mãe. Aposto que ela iria gostar de como estamos reconstruindo.
Mas confesso que fiquei em choque quando vi o que restou dela depois de um ataque voraz de milhares de cupins. 


Deveria existir uma lei que proibisse as lojas e madeireiras venderem madeira de pinus. A gente trabalha uma vida toda pra pagar e após 3 ou 4 anos depois de acabar as parcelas deste financiamento a gente volta à estaca zero, fica sem nada e se vê obrigada a reconstruir pra poder voltar a ter onde morar.
Agora estamos lavando as telhas, pois podem ser reutilizadas.



Estamos comprando materiais e janelas usadas pra podermos levantar novamente nosa casa. 
Algumas ideias surgiram e vamos aplicá-las na medida do possível.


Nossos pedreiros, o Claudecir e seu irmão Cristiano são pessoas muito boas, rápidos e com uma grande paciência pra aguentar as nossas vontades estranhas ao modo comum de construir. 
Vai ficar muito legal nossa nova casa.
Muita coisa já mudou deste desenho original, mas a essência ficará. 

Somos muito gratos à todos que estão nos ajudando de alguma forma e as dificuldades aos poucos estão sendo superadas, aceitas  ou contornadas

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

E a primavera segue

" Se te perguntarem quem era
essa que às areias e gelos
quis ensinar a primavera..."
                                                                                                                               Cecília Meireles



E quase já se finda o ano. Mais alguns dias e será verão. Estamos 

morando numa noutra casa. Estamos tentando colocar um jardim,

florir um pouco o espaço, só haviam pedras e brita por todos os 

lados, está muito difícil lidar com os caramujos que comem tudo o 

que tentamos plantar na horta, uma guerra sem fim onde usamos 

cal, iscas e catação manual, por enquanto só temos alguns pés de

couve, babosa, abóboras, orégano, salsa, cebolinhas, carurú,  e 

morangos.



Assim era a casa quando alugamos:


                         


Vini comprou grama em metro e plantou numa noite de muito frio

e chuva, eu o ajudei, fizemos um canteiro e um caminho de pedras 

que buscamos na nossa casa. Uma velha máquina 

de lavar roupas de madeira, que encontramos abandonada foi 

recolhida pelo Vini, envernizada, colocada no jardim  e 

adaptada pra receber flores. Eita garoto decicido!







sábado, 14 de outubro de 2017

Pintei uma bandeja, tinta spray na cor "cobre"

Era uma caixa muito engraçada, ops, quase isso. Tia Salete nos deu uma caixa e eu e Vini tansformamos numa bandeja pra cozinha , pintei com tinta metálica cobre, Vini colou pés (mini puxadores) e agora guardamos óleo, vinagre e outras garrafinhas nela. Ficou linda. Uma dica, pra limpar marca de cola das garrafas usei óleo de cozinha, funciona mesmo.







A cola que fica quando se retira rótulos de peças de vidro sai facilmente se aplicado óleo de cozinha em cima dela, deixar por uns 5 minutos e retirar com guardanapo de papel ou uma esponja com detergente. Forma barata e que funciona muito bem, tal qual os produtos caros para o mesmo efeito.


 


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Caquitos de coco



                                 

Às vezes um doce adoça a vida. Fui em busca do doce perdido. Fucei todas as gavetas, as prateleiras dos armários e dentro de cada pote, vai que tivesse algum bombom escondido. Ledo engano. Não encontrei nada! 
O que fazer, então, quando não há um bendito chocolate em casa e a vontade não passa? 
Lembrei-me de ter no congelador uns pedaços de coco ainda com a casquinha marrom (aquela película sem gosto, mas muito importante nesta receita pra cor ficar apetitosa) e resolvi fazer os famosos caquitos, que são os pedaços da fruta cozidos e recobertos de açúcar.
O diferente é que dei uma incrementada na receita, juntei cravo, canela, açúcar de baunilha, cascas desitratadas de laranja (que eu mesma faço) e uma pitada (bem miúda) de sal amoníaco (lembrei que minha Mãe usava pra deixar as bolachas sequinhas), como era esta a minha intenção juntei ele ao coco e venho afirmar que deu certo, ficou bem crocante.
Pra quem não sabe a receita e quiser fazer é só juntar 1 copo de água, 1 e 1/2 de açúcar e 1 e 1/2 de coco cortado em quadrados bem pequenos numa panela, cortei meus quadradinhos com mais ou menos 1 centimetro.
Colocar todos os ingredientes numa panela grande, menos o sal amoníaco, posto só quando o açúcar já virou caramelo, pois ele vai espumar e subir por isso usar panela maior que a quantidade de ingredientes e tem que mexer bem pra não transbordar (levei um baita susto nessa hora e pensei que tinha feito bobagem).
Deixar ferver em fogo baixo até que comece a estralar. Verdade. A gororoba faz barulhos parecidos aos de madeira quebrando e é nessa hora que se desliga o gás e mexe bem até esfriar. O caramelo vai açucarar, grudar nos pedaços de coco e não soltar mais, sinal de que estão prontos os caquitos de
coco, também conhecidos como coquinhos ou caquinhos, não importa o nome, são todos iguais.
 Bom apetite!

Fiz as fotos com meu celular, daí a baixa qualidade, mas dá pra entender o processo:


























Logo depois que juntei o sal amoníaco ficou espessa a calda.




















Quando começou a estralar tirei do fogo e mexi sem parar.



Quando esfriou boa parte do açúcar grudou no coco.







.
Coloquei nesta travessa linda que ganhei de minha tia Salete . A toalha foi presente de minha irmã Ieda. Posso afirmar que horas depois ele ainda estava crocante. O sal amoníaco foi aprovado. Quanto ao açúcar que sobrar na panela não jogue fora, guarde pra usar numa farofa de cuca ou para caramelizar bananas, é o que faço e nada se perde aqui em casa.

 Primeira foto via internet, as demais de minha autoria.

sábado, 15 de outubro de 2016

Otimista X Pessimista

E como está seu copo? Meio cheio, meio vázio? Cheio de que?

Este conto roda mundo por aí, história que o povo conta e nos encanta:
"Havia em uma fazenda uma criação de cordeirinhos e um deles era, coitado, perneta. Sempre era o mais excluído da galera. Era, de fato, a "ovelha negra".
O dono da fazenda tinha três filhos. 

O mais velho era pessimista, o do meio era realista e o mais novo era otimista.
Eis que surge o mais velho e diz:
- Esse cordeirinho não vale muito dinheiro. É perneta coitado, não é bom de mercado. É um inútil.
Mas pouco tempo depois, o do meio disse para o pai.
- Pai, sei que pensa em vender o cordeirinho perneta, mas infelizmente, devo-lhe dizer que será difícil, embora não impossível, conseguir um bom dinheiro nele. Apesar de perneta, ele tem o pelo bom e é de raça. Seria bom tentar, mas não vá com esperança.
Aí o mais novo, que quase sempre é o mais felizinho, diz no exato momento para o pai:
- Pai, o senhor vai vender o cordeirinho? É um excelente cordeirinho, vai conseguir um bom dinheiro nele! Aposto que juntará diversos compradores em torno do senhor e lhe darão o maior valor possível.
Eis que o pai ouviu os 3 e rumou para a cidade para vender o cordeiro. Passam-se dois dias e eis que surge o velho em meio ao horizonte, sem o cordeiro, mas com um largo sorriso. Aí o pessimista pergunta:
- Pai, conseguiu vender aquele cordeiro inútil? Aposto que lhe pagaram uma mixaria nele.
O realista:
- Pai, o senhor demorou, Conseguiu vendê-lo? Espero que sim, a procura não deve ter sido em vão.
E o otimista.
- Pai, o senhor vendeu o cordeirinho? Aposto que lhe pagaram milhares de contos de réis nele (essa história é do século XVII ou XVIII, quiçá alguma outra época que use como moeda os contos de réis).
O pai olha pra todos os filhos e diz, em alto e bom som:
- Não consegui vender.
- Por que, ninguém quis?
- Não, no meio da estrada me deu fome e como não havia local para parar e comer, matei e fiz uma churrascada dele. Eis que vinham passando três camponeses e se juntaram pra comer comigo.
- Que bom pai. O senhor fez caridade!
- Bom uma ova! Eram 3, e cada um comeu uma coxa! Fiquei com o pescoço! - E ainda cuspiu no chão dizendo: - CARNE RUIM DOS INFERNOS!





Foto via internet

    Cada um dá do que o coração está cheio!


sexta-feira, 22 de julho de 2016

Procura-se: céu para alugar, texto de Eduarda Freitas


Encontrei este lindo texto da Eduarda Freitas, é tudo o que quero pra mim.


"Ando à procura de um pequeno céu para alugar.
Um céu sem grandes luxos, uma coisa simples, não muito grande, onde caiba uma pessoa nem gorda nem magra: eu.
Um céu com vistas para cima, mais para cima, para cima de cima.
Não tenho preferência pela cor. Pode ser um céu pintado de azul mas também pode ser pintado de cor-de-laranja-fim-de-tarde ou de preto-cor-de- boas-noites ou quase-branco- de-nuvens-aos-molhos.
Um céu sem divisões obrigatórias, qualquer coisa como um open space, com espaço suficiente para me esticar ao sol.
Gostava também que tivesse um pequeno jardim, ou uma varanda, para plantar estrelas. Dizem que as estrelas no céu são boas de cultivar e dão luz em pouco tempo.
Percebo pouco de céu-cultura, mas para isso é que servem os livros com ensinamentos e como penso seriamente em dedicar-me a esse tipo de ofício, tenho andado a ler diversos textos de cultivadores de palavras que explicam direitinho a altura do coração em que as estrelas dão mais luz.
Espero aprender alguma coisa nos próximos tempos, aprender de verdade, porque pelos vistos é preciso muita dedicação.
O céu que ando à procura para alugar, não precisa ter aquecimento central. Muito menos global. Quero um céu que seja bem local. Fácil de localizar até na palma da mão. Para receber o mundo sem sair do céu. Estico a toalha e faço de todos os dias fins de tarde. Para que seja sempre cedo e tenha sempre tempo para o tempo.
Que até pode chover que eu não me importo. Sou uma Maria vai com o vento.
A minha única exigência é que os vizinhos dos céus ao lado ou acima, não reclamem se alguma clave de sol lhes for tocar à porta, ou algum balão de risos subir tão alto que bata no tecto do meu céu que pode muito bem ser o chão deles. Temos que ser uns para os outros.
Eu – inicialmente - até pensei em comprar um céu pequeno, um céu que depois ficasse mesmo para mim. Mas hoje em dia um céu comprado fica muito caro. E depois há os bancos que pedem este mundo e o outro por um simples pedaço de céu e esquecemos a vida toda a paga-lo.
Eu pensei pouco e decidi que preferia alugar. Até porque se me fartar do meu espaço, alugo outro céu. É só juntar as estrelas e virar a lua ao contrário. Não há compromissos com bancos.
Só com bancos de ar. Que fazem tremer a barriga.
Tenho andado numa agitação: já fui a várias imobiliárias e até procurei na internet, mas só me aparecem céus-de-faz-de-conta.
Desses conto eu vários.
Se por acaso alguém souber de um céu – que até pode ser usado – para alugar, diga-me por favor.
A minha morada (para já) é:
Rua na Terra, 100 número."

domingo, 6 de março de 2016

Eu falo das casas e dos homens,


Eu tenho uma forte ligação com a casa na qual moro. 

Ela passa a ter a "minha cara" e eu me torno ela. Amo ficar em casa, amo mesmo.

Aprendi com minha Mãe as primeiras lições de como cuidar da casa, como limpar, como decorar, como ter as contas pagas.

Sonhei minha primeira casa quando tinha 18 anos. Desenhei as janelas, uma escada, sempre quis um quarto no alto, mais perto das estrelas, do céu (logo eu que hoje sofro pra subir escadas) e flores no jardim. Ficou só no papel, só na imaginação.

Minha casa só tive muitos anos mais tarde. Nela não havia escada para um andar superior, apenas degraus entre os cômodos. 

Eu pintei uma faixa com letras coloridas no quarto das crianças e uma com arabescos na sala. Era meu modo de colorir a vida, pois dias negros me rondavam a alma.

Passaram-se os dias ruins e também passei a casa adiante, saímos dela pra sempre

Sentimos saudades de histórias vividas lá, de alguns vizinhos, de esperanças jamais concretizadas, do tempo em que acreditei em algumas pessoas e num amor.

Hoje moramos onde os pássaros cantam ao amanhecer, temos um pé de acerola que lhes serve de ninho, abrigo e os alimenta. Nonna Maria, a vizinha, me fala: "Esses passarinhos comem muitas acerolas" e eu respondo "Não se preocupe, tem frutas o bastante pra eles e pra nós". Como eu poderia gostar do canto deles e nem comida lhes dar? O ar aqui é mais gelado, estamos mais perto da Serra do Mar. Perto da área rural de Joinville. Menos asfalto e mais verde. Que bom!



Quem adentra nesta casa logo percebe que ela é única. Tem flores de papel coladas em torno das portas, tem coleção de bules pegando pó em cima dos armários, tem paredinha de tijolos que eu e Vini adicionamos pra alargar a cozinha, tem prateleiras abertas que abrigam diversas coleções e muitas quinquilharias, às vezes retratos, às vezes louças.

Não é casa repetida, os móveis que temos aqui mais ninguém tem. São únicos, foram recolhidos ou comprados em brechós , vindos de várias cidades do Brasil, aqui aportam e tomam acento, aqui moram junto com a gente. Vão pegando o nosso jeito, vão transformando esta casa em lar.

Por isso me causa estranheza e muita tristesa lembrar das pessoas da cidade de Mariana de Minas Gerais e daquele espaço todinho tomado pela lama.

Tantas pessoinhas com suas histórias interrompidas: sem suas cozinhas onde passavam o café e coziam seus feijões. Sem os quartos que lhes abrigava o sono, os sonhos e os amores. Sem suas salas pra receber amigos, contar causos, ralhar com meninos arteiros. Sem seus quintais de roseiras, laranjeiras e as malditas ervas-daninhas. Sem as varandas dos primeiros beijos roubados, corados ou doados. Sem suas roupas domingueiras, sem a cadeira de balanço ou o banco, mesmo manco. Sem suas fotografias (chorei quando li sobre a moça que estava triste por ter perdido a única foto de sua mãe já falecida).  Sem porto, sem referência, sem endereço.

Perderam tudo. 

Ah, mas estão vivos, há quem diga. 
Sim. Estão vivos, que bom!!! Na vida tudo se reconstrói, tudo o que é bem material aos poucos a gente recupera. 

Mesmo assim é muito triste saber que essas pessoas estão ainda ao léu. 
Ainda não começaram a reescrever e a chamar de seu cantinho um pedaço desse mundão.

Encontrei na internet o poema "Eu falo das casas e dos homens" do poeta português Adolfo Vítor Casais Monteiro, escrito sobre os horrores da guerra, mas que serve pra sofrida gente de Mariana.


"Eu falo das casas e dos homens, 
dos vivos e dos mortos: 
do que passa e não volta nunca mais... 
Não me venham dizer que estava materialmente 
previsto, 
ah, não me venham com teorias! 
Eu vejo a desolação e a fome, 
as angústias sem nome, 
os pavores marcados para sempre nas faces trágicas 
das vítimas. 
E sei que vejo, sei que imagino apenas uma ínfima, 
uma insignificante parcela da tragédia. 
Eu, se visse, não acreditava. 
Se visse, dava em louco ou profeta, 
dava em chefe de bandidos, em salteador de estrada, 
- mas não acreditava! 
Olho os homens, as casas e os bichos. 
Olho num pasmo sem limites, 
e fico sem palavras, 
na dor de serem homens que fizeram tudo isto: 
esta pasta ensanguentada a que reduziram a terra inteira, 
esta lama de sangue e alma, 
de coisa a ser, 
e pergunto numa angústia se ainda haverá alguma esperança, 
se o ódio sequer servirá para alguma coisa... 
Deixai-me chorar - e chorai! 
As lágrimas lavarão ao menos a vergonha de estarmos vivos, 
de termos sancionado com o nosso silêncio o crime feito instituição
e enquanto chorarmos talvez julguemos nosso o drama, 
por momentos será nosso um pouco do sofrimento alheio, 
por um segundo seremos os mortos e os torturados, 
os aleijados para toda a vida, os loucos e os encarcerados, 
seremos a terra podre de tanto cadáver, 
seremos o sangue das árvores, 
o ventre doloroso das casas saqueadas, 
- sim, por um momento seremos a dor de tudo isto... 
Eu não sei porque me caem as lágrimas, 
porque tremo e que arrepio corre dentro de mim, 
eu que não tenho parentes nem amigos na guerra, 
eu que sou estrangeiro diante de tudo isto, 
eu que estou na minha casa sossegada, 
eu que não tenho guerra à porta, 
- eu porque tremo e soluço? 
Quem chora em mim, dizei - quem chora em nós? 
Tudo aqui vai como um rio farto de conhecer os seus meandros: 
as ruas são ruas com gente e automóveis, 
não há sereias a gritar pavores irreprimíveis, 
e a miséria é a mesma miséria que já havia... 
E se tudo é igual aos dias antigos, 
apesar da Europa à nossa volta, exangue e mártir, 
eu pergunto se não estaremos a sonhar que somos gente, 
sem irmãos nem consciência, aqui enterrados vivos, 
sem nada senão lágrimas que vêm tarde, e uma noite à volta, 
uma noite em que nunca chega o alvor da madrugada..."


Foto 1: Nossa casa no Jarivatuba 
Foto 2: Nossa casa em Pirabeiraba
Foto 3: Cidade de Mariana, via internet