quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Loucos e Santos

Loucos (eu) e Santos (alguns)
                                                                                                                                      por Oscar Wilde
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.

Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Enfim,
Tenho amigos para saber quem eu sou, pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril .


Gosto muito desta mensagem, tenho amigas queridas as quais admiro muito e valorizo todo apoio que recebo sempre. 

Nestas fotos estamos eu e meus irmãos, os meus primeiros amigos.







quarta-feira, 20 de junho de 2018

Diário de obra - Parte 1

"Todos nós temos nossas máquinas de tempo. Algumas nos levam de volta, elas são chamados de memórias.
Alguns levam-nos para a frente, eles são chamados de sonhos. "

                                             ~ Jeremy Irons
             


Esta nossa casa já não existe mais. Está em nossas lembranças, nossas fotografias. Nas memórias dos amigos.
Recebeu muitos nomes, muitos apelidos, tipo "casinha de boneca" , "casa mais linda do mundo" , "lugar bucólico", etc...
Mais que uma casa foi nosso lar. 
Moramos nela por 14 anos. Sempre tinha alguma coisa pra consertar, pintar, adicionar. A gente não parou nunda de alterar e de decorar . Nada ficava muito tempo no mesmo local, às vezes meus filhos até reclamavam por terem que me ajudar a trocar móveis de lugar, mas depois gostavam da alteração feita.
Esta casa viu festas e muita gente passou por ela. Alguns retornaram e alguns nunca mais vimos. Dentre todos, a pessoa que não veremos nunca mais e de quem mais sinto saudades é da minha Mãe. Aposto que ela iria gostar de como estamos reconstruindo.
Mas confesso que fiquei em choque quando vi o que restou dela depois de um ataque voraz de milhares de cupins. 


Deveria existir uma lei que proibisse as lojas e madeireiras venderem madeira de pinus. A gente trabalha uma vida toda pra pagar e após 3 ou 4 anos depois de acabar as parcelas deste financiamento a gente volta à estaca zero, fica sem nada e se vê obrigada a reconstruir pra poder voltar a ter onde morar.
Agora estamos lavando as telhas, pois podem ser reutilizadas.



Estamos comprando materiais e janelas usadas pra podermos levantar novamente nosa casa. 
Algumas ideias surgiram e vamos aplicá-las na medida do possível.


Nossos pedreiros, o Claudecir e Cristiano são pessoas muito boas, rápidos e com uma grande paciência pra aguentar as nossas vontades estranhas ao modo comum de construir. 
Vai ficar muito legal nossa nova casa.
Muita coisa já mudou deste desenho original, mas a essência ficará. 

Somos muito gratos à todos que estão nos ajudando de alguma forma e as dificuldades aos poucos estão sendo superadas, aceitas  ou contornadas

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

E a primavera segue

" Se te perguntarem quem era
essa que às areias e gelos
quis ensinar a primavera..."
                                                                                                                               Cecília Meireles



E quase já se finda o ano. Mais alguns dias e será verão. Estamos 

morando numa noutra casa. Estamos tentando colocar um jardim,

florir um pouco o espaço, só haviam pedras e brita por todos os 

lados, está muito difícil lidar com os caramujos que comem tudo o 

que tentamos plantar na horta, uma guerra sem fim onde usamos 

cal, iscas e catação manual, por enquanto só temos alguns pés de

couve, babosa, abóboras, orégano, salsa, cebolinhas, carurú,  e 

morangos.



Assim era a casa quando alugamos:


                         


Vini comprou grama em metro e plantou numa noite de muito frio

e chuva, eu o ajudei, fizemos um canteiro e um caminho de pedras 

que buscamos na nossa casa. Uma velha máquina 

de lavar roupas de madeira, que encontramos abandonada foi 

recolhida pelo Vini, envernizada, colocada no jardim  e 

adaptada pra receber flores. Eita garoto decicido!







sábado, 14 de outubro de 2017

Pintei uma bandeja, tinta spray na cor "cobre"

Era uma caixa muito engraçada, ops, quase isso. Tia Salete nos deu uma caixa e eu e Vini tansformamos numa bandeja pra cozinha , pintei com tinta metálica cobre, Vini colou pés (mini puxadores) e agora guardamos óleo, vinagre e outras garrafinhas nela. Ficou linda. Uma dica, pra limpar marca de cola das garrafas usei óleo de cozinha, funciona mesmo.







A cola que fica quando se retira rótulos de peças de vidro sai facilmente se aplicado óleo de cozinha em cima dela, deixar por uns 5 minutos e retirar com guardanapo de papel ou uma esponja com detergente. Forma barata e que funciona muito bem, tal qual os produtos caros para o mesmo efeito.


 


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Caquitos de coco



                                 

Às vezes um doce adoça a vida. Fui em busca do doce perdido. Fucei todas as gavetas, as prateleiras dos armários e dentro de cada pote, vai que tivesse algum bombom escondido. Ledo engano. Não encontrei nada! 
O que fazer, então, quando não há um bendito chocolate em casa e a vontade não passa? 
Lembrei-me de ter no congelador uns pedaços de coco ainda com a casquinha marrom (aquela película sem gosto, mas muito importante nesta receita pra cor ficar apetitosa) e resolvi fazer os famosos caquitos, que são os pedaços da fruta cozidos e recobertos de açúcar.
O diferente é que dei uma incrementada na receita, juntei cravo, canela, açúcar de baunilha, cascas desitratadas de laranja (que eu mesma faço) e uma pitada (bem miúda) de sal amoníaco (lembrei que minha Mãe usava pra deixar as bolachas sequinhas), como era esta a minha intenção juntei ele ao coco e venho afirmar que deu certo, ficou bem crocante.
Pra quem não sabe a receita e quiser fazer é só juntar 1 copo de água, 1 e 1/2 de açúcar e 1 e 1/2 de coco cortado em quadrados bem pequenos numa panela, cortei meus quadradinhos com mais ou menos 1 centimetro.
Colocar todos os ingredientes numa panela grande, menos o sal amoníaco, posto só quando o açúcar já virou caramelo, pois ele vai espumar e subir por isso usar panela maior que a quantidade de ingredientes e tem que mexer bem pra não transbordar (levei um baita susto nessa hora e pensei que tinha feito bobagem).
Deixar ferver em fogo baixo até que comece a estralar. Verdade. A gororoba faz barulhos parecidos aos de madeira quebrando e é nessa hora que se desliga o gás e mexe bem até esfriar. O caramelo vai açucarar, grudar nos pedaços de coco e não soltar mais, sinal de que estão prontos os caquitos de
coco, também conhecidos como coquinhos ou caquinhos, não importa o nome, são todos iguais.
 Bom apetite!

Fiz as fotos com meu celular, daí a baixa qualidade, mas dá pra entender o processo:


























Logo depois que juntei o sal amoníaco ficou espessa a calda.




















Quando começou a estralar tirei do fogo e mexi sem parar.



Quando esfriou boa parte do açúcar grudou no coco.







.
Coloquei nesta travessa linda que ganhei de minha tia Salete . A toalha foi presente de minha irmã Ieda. Posso afirmar que horas depois ele ainda estava crocante. O sal amoníaco foi aprovado. Quanto ao açúcar que sobrar na panela não jogue fora, guarde pra usar numa farofa de cuca ou para caramelizar bananas, é o que faço e nada se perde aqui em casa.

 Primeira foto via internet, as demais de minha autoria.

sábado, 15 de outubro de 2016

Otimista X Pessimista

E como está seu copo? Meio cheio, meio vázio? Cheio de que?

Este conto roda mundo por aí, história que o povo conta e nos encanta:
"Havia em uma fazenda uma criação de cordeirinhos e um deles era, coitado, perneta. Sempre era o mais excluído da galera. Era, de fato, a "ovelha negra".
O dono da fazenda tinha três filhos. 

O mais velho era pessimista, o do meio era realista e o mais novo era otimista.
Eis que surge o mais velho e diz:
- Esse cordeirinho não vale muito dinheiro. É perneta coitado, não é bom de mercado. É um inútil.
Mas pouco tempo depois, o do meio disse para o pai.
- Pai, sei que pensa em vender o cordeirinho perneta, mas infelizmente, devo-lhe dizer que será difícil, embora não impossível, conseguir um bom dinheiro nele. Apesar de perneta, ele tem o pelo bom e é de raça. Seria bom tentar, mas não vá com esperança.
Aí o mais novo, que quase sempre é o mais felizinho, diz no exato momento para o pai:
- Pai, o senhor vai vender o cordeirinho? É um excelente cordeirinho, vai conseguir um bom dinheiro nele! Aposto que juntará diversos compradores em torno do senhor e lhe darão o maior valor possível.
Eis que o pai ouviu os 3 e rumou para a cidade para vender o cordeiro. Passam-se dois dias e eis que surge o velho em meio ao horizonte, sem o cordeiro, mas com um largo sorriso. Aí o pessimista pergunta:
- Pai, conseguiu vender aquele cordeiro inútil? Aposto que lhe pagaram uma mixaria nele.
O realista:
- Pai, o senhor demorou, Conseguiu vendê-lo? Espero que sim, a procura não deve ter sido em vão.
E o otimista.
- Pai, o senhor vendeu o cordeirinho? Aposto que lhe pagaram milhares de contos de réis nele (essa história é do século XVII ou XVIII, quiçá alguma outra época que use como moeda os contos de réis).
O pai olha pra todos os filhos e diz, em alto e bom som:
- Não consegui vender.
- Por que, ninguém quis?
- Não, no meio da estrada me deu fome e como não havia local para parar e comer, matei e fiz uma churrascada dele. Eis que vinham passando três camponeses e se juntaram pra comer comigo.
- Que bom pai. O senhor fez caridade!
- Bom uma ova! Eram 3, e cada um comeu uma coxa! Fiquei com o pescoço! - E ainda cuspiu no chão dizendo: - CARNE RUIM DOS INFERNOS!





Foto via internet

    Cada um dá do que o coração está cheio!


sexta-feira, 22 de julho de 2016

Procura-se: céu para alugar, texto de Eduarda Freitas


Encontrei este lindo texto da Eduarda Freitas, é tudo o que quero pra mim.


"Ando à procura de um pequeno céu para alugar.
Um céu sem grandes luxos, uma coisa simples, não muito grande, onde caiba uma pessoa nem gorda nem magra: eu.
Um céu com vistas para cima, mais para cima, para cima de cima.
Não tenho preferência pela cor. Pode ser um céu pintado de azul mas também pode ser pintado de cor-de-laranja-fim-de-tarde ou de preto-cor-de- boas-noites ou quase-branco- de-nuvens-aos-molhos.
Um céu sem divisões obrigatórias, qualquer coisa como um open space, com espaço suficiente para me esticar ao sol.
Gostava também que tivesse um pequeno jardim, ou uma varanda, para plantar estrelas. Dizem que as estrelas no céu são boas de cultivar e dão luz em pouco tempo.
Percebo pouco de céu-cultura, mas para isso é que servem os livros com ensinamentos e como penso seriamente em dedicar-me a esse tipo de ofício, tenho andado a ler diversos textos de cultivadores de palavras que explicam direitinho a altura do coração em que as estrelas dão mais luz.
Espero aprender alguma coisa nos próximos tempos, aprender de verdade, porque pelos vistos é preciso muita dedicação.
O céu que ando à procura para alugar, não precisa ter aquecimento central. Muito menos global. Quero um céu que seja bem local. Fácil de localizar até na palma da mão. Para receber o mundo sem sair do céu. Estico a toalha e faço de todos os dias fins de tarde. Para que seja sempre cedo e tenha sempre tempo para o tempo.
Que até pode chover que eu não me importo. Sou uma Maria vai com o vento.
A minha única exigência é que os vizinhos dos céus ao lado ou acima, não reclamem se alguma clave de sol lhes for tocar à porta, ou algum balão de risos subir tão alto que bata no tecto do meu céu que pode muito bem ser o chão deles. Temos que ser uns para os outros.
Eu – inicialmente - até pensei em comprar um céu pequeno, um céu que depois ficasse mesmo para mim. Mas hoje em dia um céu comprado fica muito caro. E depois há os bancos que pedem este mundo e o outro por um simples pedaço de céu e esquecemos a vida toda a paga-lo.
Eu pensei pouco e decidi que preferia alugar. Até porque se me fartar do meu espaço, alugo outro céu. É só juntar as estrelas e virar a lua ao contrário. Não há compromissos com bancos.
Só com bancos de ar. Que fazem tremer a barriga.
Tenho andado numa agitação: já fui a várias imobiliárias e até procurei na internet, mas só me aparecem céus-de-faz-de-conta.
Desses conto eu vários.
Se por acaso alguém souber de um céu – que até pode ser usado – para alugar, diga-me por favor.
A minha morada (para já) é:
Rua na Terra, 100 número."